Tipos de meditação: do zen ao mindfulness para mudar sua rotina

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Respira fundo comigo. Agora solta. De novo. Conseguiu prestar atenção ao ar entrando e saindo? Ou sua mente já correu para a lista de tarefas do dia? Se você está como a maioria das pessoas, provavelmente já estava pensando no próximo compromisso antes mesmo de terminar a primeira respiração.
Vivemos em um mundo acelerado, onde estar presente parece ser uma habilidade rara, quase um superpoder. É justamente por isso que falar sobre meditação nunca foi tão urgente. Mais do que um modismo ou uma prática espiritual, meditar se tornou uma necessidade mental e emocional para quem busca saúde, equilíbrio e qualidade de vida.
Nesse artigo, vamos falar sobre os tipos de meditação. E chegar até o ponto em que desejamos: o mindfulness.
Meditação é tudo igual? Nem de longe!
Você já ouviu por aí: “ah, tentei meditar, mas não consegui esvaziar a mente…” Pois é, esse é um dos maiores mitos sobre meditação. A verdade é que existem muitos tipos de meditação, e cada um funciona de um jeito diferente.
Dessa forma, meditação não é uma coisa só. Assim como há vários estilos musicais (do jazz ao rock) também há diversas formas de meditar. Nesse sentido, temos algumas que são mais silenciosas, outras que envolvem mantras, movimento, respiração ou até visualizações. Todas, porém, têm um ponto em comum: a busca por presença.
Meditação Zen (Zazen): o silêncio como mestre
Vamos começar pela raiz. O Zazen, ou meditação Zen, é uma prática budista que convida ao silêncio absoluto — da fala, do corpo e da mente. A pessoa se senta em posição de lótus (ou semelhante), foca na respiração e… observa.
Ou seja, o Zazen não quer que você “faça algo”. Pelo contrário. A proposta é não fazer. Desse modo, a intenção é só estar ali, imóvel, atento à respiração e ao fluxo de pensamentos, sem se agarrar a nenhum deles.
Essa prática cultiva uma atenção profunda e uma aceitação radical do presente. Com o tempo, a mente se aquieta, os pensamentos se tornam menos dominantes e a percepção da vida muda.
Meditação Transcendental: a vibração do som interior
Enquanto o Zen aposta no silêncio, a Meditação Transcendental (MT) mergulha no som. A técnica foi difundida por Maharishi Mahesh Yogi e envolve a repetição mental de um mantra pessoal e secreto, atribuído por um instrutor.
O mantra serve como uma âncora mental, permitindo que você vá além do pensamento, entrando em um estado de profundo repouso e consciência expandida. É como se você escorregasse para dentro de si mesmo.
A Meditação Transcendental atrai muitos adeptos no Ocidente. Afinal de contas, ela é simples, estruturada e traz benefícios comprovados pela ciência: redução do estresse, melhora da atenção, aumento da produtividade e até melhora do sono.
Meditação Guiada: uma jornada com mapa
Sabe quando a mente está tão agitada que você não consegue nem começar? Nessas horas, a meditação guiada é um verdadeiro respiro. Aqui, alguém conduz o processo, seja com voz, música, visualizações ou instruções.
Desse modo, para quem não sabe por onde começar ou sente dificuldade em manter o foco, esse tipo de meditação funciona como um “GPS interior”.
Assim, para aproveitar ao máximo, escolha áudios ou vídeos confiáveis, com guias que tenham uma voz agradável. Coloque fones, sente-se confortavelmente e entregue-se à experiência.
Meditação Ativa: o corpo também medita
Quem disse que meditar é só ficar parado? A meditação ativa, por exemplo, popularizada por Osho, aposta no movimento, na respiração intensa, na dança ou até no grito como formas de liberar tensões e entrar em estado meditativo.
Dessa forma, a proposta é usar o corpo como ferramenta para sair da mente e chegar à presença. Porque, vamos combinar, às vezes a mente só se aquieta depois que o corpo extravasa.
Além de trazer presença, essa prática também ajuda a desbloquear emoções reprimidas e liberar traumas armazenados no corpo.
Mindfulness: a arte de estar inteiro
E chegamos ao protagonista deste artigo. Mindfulness — ou atenção plena — é mais do que um tipo de meditação. É uma forma de viver. É o convite a estar 100% presente no que se está fazendo: comendo, escutando, caminhando ou lavando a louça.
Mas o que é mindfulness (de verdade)? É estar consciente do momento presente, sem julgamento. Ainda mais, é observar os pensamentos, as emoções e as sensações corporais como nuvens que passam. Ou seja, não se trata de controlar a mente, mas de reconhecê-la com gentileza.
O mindfulness é uma prática transformadora, porque ensina a viver aqui e agora, reduz a ansiedade, melhora a concentração, fortalece a inteligência emocional e ainda ajuda a desenvolver autocompaixão.
Quando você pratica o mindfulness, se torna mais presente em cada escolha do dia a dia. Pequenos gestos, como comer devagar, respirar antes de responder algo, ou fazer uma pausa consciente, mudam a qualidade da sua rotina e, com o tempo, transformam sua vida.
Qual tipo de meditação combina com você?
Essa pergunta vale ouro. Afinal, a melhor prática é aquela que você consegue manter com consistência. Se você ama silêncio, talvez o Zen. Se busca algo mais direto, talvez a meditação guiada ou mindfulness.
Contudo, não adianta escolher algo que não se encaixa na sua rotina. Meditação não é obrigação. É cuidado. É autocuidado.
Além disso, não existe “a melhor”, existe “a melhor para você”. Sendo assim, testar é fundamental. Experimente diferentes práticas, dê tempo para cada uma se revelar, e perceba com qual sua mente e corpo se alinham melhor.
Meditação e PNL: o elo entre mente, presença e programação mental
Agora vamos fazer uma ponte entre dois mundos poderosos: meditação e Programação Neurolinguística (PNL). De um lado, a presença. Do outro, a reprogramação mental.
Afinal de contas, quando meditamos, entramos em estados cerebrais mais receptivos (como alfa e teta). Isso abre espaço para reescrever crenças limitantes e padrões mentais sabotadores.
Uma das formas para integrar as técnicas é usar afirmações, visualizações e ancoragens da PNL durante ou após a meditação, potencializando os efeitos de transformação interior. Ou, por outro lado, meditar antes de aplicar as técnicas da PNL, de forma a aumentar sua presença no agora e turbinar os resultados da aplicação da PNL.
Comece simples, comece hoje
A melhor forma de começar a meditar é não esperar o “momento ideal”. Afinal, ele não existe. Meditar não exige roupa especial, nem incenso, nem tempo sobrando. Basta você, um canto tranquilo, e alguns minutos de presença.
Além disso, a meditação certa é a que você pratica. Ou seja, não precisa começar com 30 minutos. Comece com 3. Depois 5. E vá sentindo os efeitos se espalharem pela sua rotina como ondas suaves que tocam cada parte do seu dia.
Conclusão: mudar a rotina é mudar o mundo interno
No fim das contas, meditar não é sobre ficar zen em uma almofada. É sobre mudar o jeito como você vive. É aprender a responder, e não apenas reagir. Ou seja, é escolher estar presente, mesmo quando tudo te puxa para longe.
Cada tipo de meditação — do zen ao mindfulness — oferece um caminho para essa transformação. Cabe a você dar o primeiro passo. A rotina muda quando você muda a forma como habita seus dias. E tudo começa… com uma respiração consciente.
Indicação de leitura:
Imagem: Adaptado de Freepik

Marcel Castilho é especialista em neuromarketing, neurociência, mindfulness e psicologia positiva. Além de publicitário, também é Master em PNL – Programação Neurolinguística. Como proprietário e fundador da agência de comunicação VeroCom e também da agência digital Vero Contents, estuda há mais de 30 anos o comportamento humano.